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Se muestran los artículos pertenecientes a Mayo de 2005.
02/05/2005
MEMENTOLembro un poema breve sobre unha muller que sae ofrecer unha cadeira que ninguén ocupou pasado o verán. A porta fecha a casa á noite mentres as chuvias do Trópico secan a súa dor. Agora este poema é teu, é meu... apenas por unha copia que conservo.
03/05/2005
ROMANCE DO POETA DESCAVALGADOSou poeta galego, quer dizer poeta edificado nas ruinas da Galiza, certo alicerce abandonado do espírito português. Sou cavaleiro sem cavalo e a santa estirpe que canto é um prego fundo extirpado.
Sou poeta descavalgado, ginete errante de futuro incerto que alguns querem ver no passado, e ilusos cavalgam um asno a pensarem que é cavalo. Sou cavaleiro sem cavalo e a santa estirpe que canto é um prego fundo extirpado.
Sou um sino sem badalo, esqueci o meu destino outrora coroado, e certas rédeas me conduzem a um ermo campo isolado. Sou cavaleiro sem cavalo e a santa estirpe que canto é um prego fundo extirpado.
Mudam os tempos, não mudam as vontades a tentarem ver-me sempre poeta descavalgado, mas há um cavalo alado que sonho a pastar em território ilimitado. Sou cavaleiro sem cavalo e a santa estirpe que canto é um prego fundo extirpado.
09/05/2005
COLOCAMOS AS PRIMEIRAS PEDRASEstamos a pensar en diferentes departamentos produtivos para a nosa Fábrica e aceitamos propostas. Algúns exemplos poderían ser: poemas ou outro tipo de textos apañados da Internet, textos de autores convidados, diálogos poéticos (un poema en resposta a un outro), poemas á maneira de..., links literarios comentados, un pouco de todo (opinións de actualidade, comentarios varios).
11/05/2005
PROVEDOR Nº 1: Roger Colom¡Bienvenidos! ¡desde el esmaltado bajovientre, con la vilipendia más afectuosa, una carcamalada sonrisa gelatinosa y el disfraz enramalado de la prosa, les doy a todos esta primordial bienvenida! ¡sean bienvenidos! ¡bienvenidos a gatas entre los escombros de la plenitud, del virtuosismo embarazado a escupitajos! ¡bienvenidos al tiroteo, al gorjeo epistemorónico y la reflexión vegetal! ¡sí, amigos: bienvenidos! ¡bienvenidos todos al bailoteo de las verdades en el gran salón de las astucias de salón! ¡pasen, pasen! ¡sean todos bienvenidos! librodenotasInternacional Melancólica
12/05/2005
Mutatis mutandisRelembrava com o Alfredo a ocasião em que o meu professor de Direito Político, Ramón Máiz, autor de uma interessante tese sobre a política e a cultura dos últimos 150 anos na Galiza, dizia que o galeguismo é um movimento que se caracteriza polo fracasso e a descontinuidade. Mais interessado polo significado da observação do que pola identificação com aquele movimento, eu saudei com alegria esta proposta de Táti de construir uma ágora onde a gente, nomeadamente a vinculada ao que primeiramente se chamou A Fábrica, logo Hedral e finalmente Companhia Poética da Meia-Noite, onde a gente -dizia- se encontrasse e reconhecesse.
Passou tempo, estes últimos anos, e os nossos condicionantes e estilos nos pintarom caras diferentes, línguas diferentes, ritos e emoções a leste e oeste. Por isso pido licença para perguntar ao Mário, a raiz da conversa com Ramiro, sobre o território do cavalo alado do Alfredo, por que é que acha que digo cousas estranhas. Devo adiantar que sinto que esta frase implica que o Mário escuita com consideração (isso e muita virtude mais não me surpreendem nele) e que, alternativamente:
A) Digo cousas que não fazem sentido em absoluto (e ficaria a saber). B) Digo cousas que não parecem fazer sentido relativamente ao nosso condicionamento (e então sei, mas não me apercebia de estar a resultar tão confuso, sinceramente).
Mas como dixerom outros antes do meu professor, a gente muda e viaja e é bom manter o contacto. Então, se a hipótese ajeitada for a B) talvez podamos falar e viajar, querido Mário, sobre essa confusão de que me falas, sobre a incertidão do território fundacional do poético de que fala Ramiro, de que canta Alfredo.
Um abraço.
13/05/2005
Dias de vinho e rosas, epílogo, para MárioParabéns pola derrota, Ethan, buscador, che envio das montanhas onde trabalhava Josie antes da guerra civil, com a intenção de que esta língua lá faga um sentido para TI: sobretudo quando a guerra já passou por Josie Wales e por Ethan Edwards e ainda há cinzas quentes.
Não sei a que te referes com a palavra poesia tu, ó buscador furtivo, mas gostaria de sabê-lo ou, melhor, de prová-lo, e deixarmo-nos no possível de categorizações. Aproveito o ensejo para dar as graças a todos os que me derom emprego como "poeta" , "reintegracionista", "libertário" ,"crente" ou o que fosse. Obrigado a mim mesmo, que também me categorizei, devo enfim agradecer estes nomes tão lindos, tão sonoros e que me fazem viver na ilusão de que eu sou algo em sociedade, tão necessitado como estava de encontrar um lugar em este mundo. Mas infelizmente é em vão, porque eu mesmo não o creio, e confesso não ser essencialmente nada disso, assuntos que sinto em suma como paixões e claridades parciais, estando de facto com freqüência de maneiras aparentemente opostas (e darei tantos erros) com a intenção de obter o melhor resultado para mim (e os meus) ante cada tempo, gente e lugar: de maneira mesquinha em troca de criadora, ao modo de um oficialista de facto (ou teórico), como um patriota espanhol ad usum ou como um ateu moderno, adorador dos ídolos quotidianos. Falo a sério, Mário, porque não adopto muito a sério nenguma destas posições, valem-me enquanto me valerem. Aparece porventura aí a tua percepção de incoerência ou confusão, que também se explica porque eu como todos ando a dar paus de cego, sobretudo quando bebo. Eu não quero tampouco a poesia, vês? por cima de tudo. Uso-a com um fim mui determinado (ainda que esse fim me determine a mim). Devo ser mais explícito?
Creio que o Ramiro, de todas as maneiras, exprimiu melhor o cerne deste assunto, a relatividade dos códigos, das línguas, ao falar indistintamente do Nada, da Vida, de Deus. Bento Spinoza com o seu Deus sive natura ou aqueles que dim que não há nengum deus, salvo o absolutamente real (a profissão de fé islâmica, oh escândalo de materialistas e crédulos e integristas vários) também trazem claridade para nossa vida.
Se continuar sem fazer sentido para ti, está longe isso da minha intenção e prometo tentar ainda, com vinho de permeio, embora por vezes me resulte difícil sinceramente dizer cousas que pertencem a certa inefabilidade felizmente real.
Um abraço.
15/05/2005
PoemaA Isabel.
Caminho já longe Da casa queimada por mim: Só salvei dela um mapa em branco Com indicações muito precisas Para desenvolver-me polas cidades Que se alçam ao fundo deste espelho dormido Em que estás a ler agora.
Deixo cair As minhas propriedades na rua, Expostas à inquietação dos transeuntes: Eles não compreendem a deriva dos meus passos, Persistem em construir casas onde sentir A lenta dissipação das suas vidas como um prémio.
Eu, porém, Matei todas as raízes escuras Que assombravam a minha morte: Conheço a alta árvore do amor, o seu Fruto certo em que ardo e pervago livre; E assim permaneço nesta transformação Do meu corpo em aprendiz do nada mais pleno. O que está a acontecer?Dia das Letras Galegas: os irmáns do Norte «No próximo 17 de Maio comemora-se o Dia das Letras Galegas. Por todas as razões, a Galiza está tão próxima de nós como os países e povos de língua portuguesa que estão mais próximos. E, como já em outra oportunidade se assinalou, gostariamos de lhe poder dar muito mais atenção e espaço. Assinalando aquela data, publicamos o texto que um dos mais destacados vultos da cultura da Galiza de hoje, Víctor F. Freixanes, escritor, editor e membro do Conselho da Cultura Galego, escreveu para o JL, e que de certo modo dá uma expressiva panorâmica, e faz um balanço, da sua literatura e de parte das suas artes. E publicámo-lo no original, pois nos pareceu desnecessário, e porventura inadecuado, “traduzi-lo” para português, o que só por si é significativo. Damos ainda a lume uma peça em que se dá notícia de algumas das edições recentes, entre nós, de livros de autores galegos».
Jornal de letras, artes e ideias, 11 de Maio de 2005.
Galegos em português «A qualidade intrínseca das obras e a proximidade histórica, geográfica e cultural são aspectos que têm determinado a tradução e publicação de autores galegos em Portugal, como salientam os editores contactados pelo JL, apesar de a língua galega, que partilha com o português a mesma raiz linguística —o galaico-português— levantar alguns obstáculos. [...] A Deriva é uma das editoras que, actualmente, publica mais escritores galegos. A sua filosofia editorial procura, de resto, divulgar “culturas e literaturas minoritárias”, como explica António Luís Catarino. O facto da Galiza ser “culturalmente vizinha” do Porto, onde a Deriva tem sede, é outro dos factores determinantes, reforça o editor. Não é, contudo, uma tarefa fácil. Por um lado, “o mercado está virado para os bestsellers e para a cultura anglo-saxónica, pelo que a Literatura Galega, ainda que de grande qualidade, não tem a projecção mediática que merece”. E por outro, “o Galego é uma língua falsa, pelo que se tem de ter muito cuidado com os tempos verbais e as expressões idiomáticas, até porque as duas línguas tiveram muito tempo separadas”, explica.»
Jornal de letras, artes e ideias, 11 de Maio de 2005.
Unha escritora galega «A lingua de Nélida [Piñón] é a mesma que floreceu en Portugal, na Galicia do sur, e cruzou despois o océano. A mesma (con algunhas variantes) de varios miles de emigrantes anónimos que, cos seus pequenos fardos domésticos e a maleta chea de soños, abandonaron un día as aldeas de Cotobade, o Ribeiro [...] e buscaron alén do mar a vida que aquí lles faltaba...
La Voz de Galicia, Culturas, 16 de Abril de 2005.
18/05/2005
PROVEDOR Nº 2: AUGUST KLEINZHALERTHE STRANGE HOURS TRAVELERS KEEP
The markets never rest Always they are somewhere in agitation Pork bellies, titanium, winter wheat Electromagnetic ether peppered with photons Treasure spewing from Unisys A-15J mainframes Across the firmament Soundlessly among the thunderheads and passenger jets As they make their nightlong journeys Across the oceans and steppes Nebulae, incandescent frog spawn of information Trembling in the claw of Scorpio Not an instant, then shooting away Like an enormous cloud of starlings Garbage scows move slowly down the estuary The lights of the airport pulse in morning darkness Food trucks, propane, tortured hearts The reticent epistemologist parks Gets out, checks the curb, reparks Thunder of jets Peristalsis of great capitals How pretty in her tartan scarf Her ruminative frown Ambiguity and Reason Locked in a slow, ferocious tango Of if not, why not
(August Kleinzahler published his first book of poetry, A Calendar of Airs, in 1978. Since then, he has published six others, including Storm over Hackensack (1985); Earthquake Weather (1989); Red Sauce Whiskey and Snow (1995); and Green Sees Things in Waves (1998). In 2000, Farrar, Straus & Giroux published Live from the Hong Kong Nile Club: Poems 1975-1990. His poems have appeared in numerous publications including The New Yorker, The American Poetry Review, Poetry, Harper’s Magazine, Grand Street, The Threepenny Review, and The Paris Review. A native of Jersey City, Kleinzahler is the recipient of awards from the John Simon Guggenheim Foundation (1989), the Lila Acheson-Reader’s Digest Award for Poetry (1991), and an Academy Award in Literature from the American Academy of Arts and Letters (1996). In 2000 he was awarded a Berlin Prize Fellowship. His latest book, a collection of meditations entitled Cutty, One Rock: Low Characters and Strange Places, Gently Explained, was published in November, 2004 to considerable critical acclaim. Kleinzahler has been a taxi driver, a locksmith, a logger, and a building manager. He has taught creative writing courses at Brown University, the University of California at Berkeley, and the Iowa Writers' Workshop, as well as to homeless veterans in the Bay Area. He lives in San Francisco.)
24/05/2005
Sefer Sefarad (as canções da diáspora)II. Canção
Dançar com os intérpretes da melodia do mundo, os que dão à luz um universo de encontros e inauguram, intactos, um Sol novo e uma Lua nova, dançarinos nas sombras.
Um barco de algazarras atravessa o perfil e inicia a luz de um dia a luz, a que plantou as velhas oliveiras, calcanhares surdos da nossa promessa.
O meu lugar é aqui, em toda a parte, onde cantar, e devotar-me a um exercício milagroso de encantamento e penumbra.
Quem me dera voar na vertigem das selvas da nossa própria carne e vestir-me de negro e esmeraldas arrumando a velocidade do corpo para um universo novo de rum e especiarias
invisível através de ti. A Sandra e Miguel.
O poema, Copo de sangue branco Vertendo-se nos teus lábios Como o fogo invisível Do veneno final, Anda à tua procura, Dentro, No lugar inabitado Que nunca reconheces teu, Sempre o maior inimigo Da tua rendição.
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