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Se muestran los artículos pertenecientes al tema Pedro Casteleiro.
13/10/2005
A PátriaCom tristeza e alegria, chego tarde à celebração na cidade herculina do Dia da Raça, com o alçamento nacional da bandeira. Aderindo e ultrapassando o júbilo institucional, quero cá contribuir com o meu pequeno mas –acho- significativo grão de areia à reconstrução do nosso autêntico sentimento patriótico peninsular. Não tenho palavras: por favor, leiam isto aqui.
03/10/2005
As minhas mãos anos depoisEste repto, o de escrever um poema a começar com um verso proposto, foi lançado há anos, e respondido corajosamente, por todos os poetas que trabalham na fábrica e, há uns dias, relançado ao grande amigo e poeta Ramiro Torres e ao Xavier Vásquez Freire, em cujo blog me deparo com a linha "O tempo não existe". Este é o meu novo As minhas mãos têm a idade do universo, anos depois.
As minhas mãos têm a idade do universo, e guardam o trigo entre os caminhos velhos e entre os caminhos novos. Separam o tempo de cima do que está em baixo, brilham a sós como as estrelas em março na tua boca.
Nada direi, que elas vos escrevam, inimigos íntimos, habitantes do dia que não está no calendário, sobre a esteira quente do vosso nome, calo.
E vós falai, prisioneiras de nada, perfumai com ópio os velhos locais da palavra, enlouquecei. Mãos,
habitantes dos meus rios, elegíacas e loucas, tenebrosas extractoras mineiras dos meses.
19/09/2005
Palestra na Corunha do Prof. MonterrosoA próxima quarta-feira, dia 21 de Setembro, polas 20:30 h., no local A Tréu (Rua São José, A Corunha), o Prof. José Maria Monterroso falará sobre "Apelidos galegos: esses desconhecidos". Como suponho sabereis muitos, Monterroso é escritor em espanhol e galego, foi durante muitos anos presidente da Ass. Cultural O Facho, e nos últimos tempos se tem especializado em onomástica galega. Na minha opinião trata-se de uma pessoa, para além de boa gente, muito interessante e as suas comunicações resultarom-me sempre magistrais e amenas.
Abraços.
13/09/2005
Adeus alegria, adeus tristezaMeu coração tornou-se capaz de assumir qualquer forma; ele é um pasto para gazelas e um convento para monges cristãos, um templo para ídolos e a Caaba dos peregrinos as tábuas da Torah e o livro do Corão. Eu sigo a religião do Amor: qualquer que seja o caminho que o Amor toma, esta é minha religião e minha fé.
Ibn 'Arabi, em dedicatória a Meulana Jelaleddin Rumi.
22/06/2005
Canção da noite de São JoãoDa minha procura em forma de livro, resgato um novo texto da diáspora, conhecido como "O casamento do enfeitiçado" ou "Canção da noite de São João".
Vêm aqui escuitar a música os hinos fortes e tristes que iluminam o temor e as noites do espírito.
Vêm ouvir as melodias que encantam os dedos, como cigarros e fumo, envoltos numa transitória, delicada dança.
Ouvir histórias que alimentem armários vazios, rapsódias para a felicidade das tumbas.
Porque esse é o destino da pele, converter-se no palácio dos vermes em breve.
Ao mesmo tempo, este, nosso momento, de sombra e música, é único, porque podemos aprendemos como voar e cantar e crescer altos e definitivos sobre o lume.
Vimos aqui bailar e aprender uma nova voz cantada que não ensina nada que não dura que morre e em cada gesto permanece, sístole e diástole do amor, metáfora do entendimento.
Vimos aqui cantar a nossa morte Cantar, após a morte, a nossa vida.
15/06/2005
O pássaro solitário e a debandada ibérica (e II)"Assim, na visão de Goytisolo, o século XVI assistiu à ruptura de uma tradição de diálogo intercultural. Um diálogo que havia dado à Espanha lugar privilegiado no panorama europeu. Basta pensar na escola medieval de tradutores de Toledo. Lá colaboraram estudiosos árabes, judeus e cristãos, graças ao impulso do rei Afonso, o Sábio. Mas a expulsão de fins do século XV e a censura político-religiosa do século XVI arruinaram esse diálogo. E contribuir para reatá-lo tem sido o intuito primordial de Juan Goytisolo. (…) Há, portanto, um San Juan de la Cruz silenciado, e testemunha de vozes silenciadas. É este San Juan que Goytisolo vem resgatar. E, concretamente, o autor de um texto perdido, Propiedades del Pájaro Solitario. Não chegou até nós esse escrito sanjuanista. Desapareceu talvez depois da morte de Teresa, no tempo das perseguições. Sabemos que alguns amigos que conservavam escritos de San Juan de la Cruz tiveram de queimá-los para proteger o poeta. Uma testemunha nos fala da perda de um opúsculo, um tratadillo, como dizia. Seu título era precisamente Propiedades del pájaro solitario." O resto deste texto, que para quem achou interessante o extractado há-de resultar bem mais interessante podereis encontrá-lo premindo aqui. Um abraço.
14/06/2005
O pássaro solitário e a debandada ibérica (I)Em referência ao comentário de Alfredo sobre a reorientação, ainda que também à pergunta de Táti sobre o que é que nos une, e respondendo até uma velha questão sobre o que deu origem ao nascimento daquilo que fomos. Extractos deste curioso texto de Mª de la Concepción Piñero, Universidade de São Paulo: Metamorfoses Literárias de um Pájaro Solitario. "Estas reflexões partem do tema da tradição literária e de sua ruptura. Mais precisamente, do caso de uma obra literária que tem a ruptura como ponto de partida. Trata-se de um romance espanhol de nossos dias que quer preencher uma dupla interrupção: reatar uma tradição de diálogo cultural, rompida desde o século XVI, e devolver um texto destruído que se havia inspirado nesse diálogo. Assim, o foco desta exposição será o processo mesmo de devolução da obra perdida. É inusitada a proposta deste romance. Pretende devolver à Literatura Espanhola um texto destruído no século XVI. Mais ainda: pretende reatar o diálogo do texto destruído com as culturas árabe e judaica, que o inspiraram. Por isso tudo, este romance permite uma reflexão sobre alguns aspectos da cultura da Idade Média e do Renascimento. E permite fazer essa reflexão a partir de um dos maiores escritores de nossos dias. Falo do romancista catalão Juan Goytisolo. (…) Ainda em 1969, o então jovem escritor, que não havia chegado aos quarenta anos, publicava um importante ensaio, España y los españoles. Suas páginas falavam da urgência de preencher as lacunas abertas na cultura espanhola pela perda de energias fundamentais de sua vida intelectual. E apontava para as culturas orientais, que até o final da Idade Média haviam estado presentes na Península Ibérica. E que haviam fecundado algumas das obras-primas da Literatura Espanhola. De fato, é na herança judaica, como experiência de exílio, que Goytisolo vai buscar o sentido de solidão e de inquietação da narrativa de Cervantes ou da lírica de Luis de León. E é na afetividade da lírica dos místicos muçulmanos, os sufistas, que o escritor encontra a chave de algumas obras-primas intensamente sensuais. Mas já nas primeiras décadas do século XVI a censura suprimia tais manifestações. Tanto que algumas dessas obras tiveram de ser publicadas fora da Espanha, como La Lozana Andaluza."
24/05/2005
Sefer Sefarad (as canções da diáspora)II. Canção
Dançar com os intérpretes da melodia do mundo, os que dão à luz um universo de encontros e inauguram, intactos, um Sol novo e uma Lua nova, dançarinos nas sombras.
Um barco de algazarras atravessa o perfil e inicia a luz de um dia a luz, a que plantou as velhas oliveiras, calcanhares surdos da nossa promessa.
O meu lugar é aqui, em toda a parte, onde cantar, e devotar-me a um exercício milagroso de encantamento e penumbra.
Quem me dera voar na vertigem das selvas da nossa própria carne e vestir-me de negro e esmeraldas arrumando a velocidade do corpo para um universo novo de rum e especiarias
invisível através de ti.
13/05/2005
Dias de vinho e rosas, epílogo, para MárioParabéns pola derrota, Ethan, buscador, che envio das montanhas onde trabalhava Josie antes da guerra civil, com a intenção de que esta língua lá faga um sentido para TI: sobretudo quando a guerra já passou por Josie Wales e por Ethan Edwards e ainda há cinzas quentes.
Não sei a que te referes com a palavra poesia tu, ó buscador furtivo, mas gostaria de sabê-lo ou, melhor, de prová-lo, e deixarmo-nos no possível de categorizações. Aproveito o ensejo para dar as graças a todos os que me derom emprego como "poeta" , "reintegracionista", "libertário" ,"crente" ou o que fosse. Obrigado a mim mesmo, que também me categorizei, devo enfim agradecer estes nomes tão lindos, tão sonoros e que me fazem viver na ilusão de que eu sou algo em sociedade, tão necessitado como estava de encontrar um lugar em este mundo. Mas infelizmente é em vão, porque eu mesmo não o creio, e confesso não ser essencialmente nada disso, assuntos que sinto em suma como paixões e claridades parciais, estando de facto com freqüência de maneiras aparentemente opostas (e darei tantos erros) com a intenção de obter o melhor resultado para mim (e os meus) ante cada tempo, gente e lugar: de maneira mesquinha em troca de criadora, ao modo de um oficialista de facto (ou teórico), como um patriota espanhol ad usum ou como um ateu moderno, adorador dos ídolos quotidianos. Falo a sério, Mário, porque não adopto muito a sério nenguma destas posições, valem-me enquanto me valerem. Aparece porventura aí a tua percepção de incoerência ou confusão, que também se explica porque eu como todos ando a dar paus de cego, sobretudo quando bebo. Eu não quero tampouco a poesia, vês? por cima de tudo. Uso-a com um fim mui determinado (ainda que esse fim me determine a mim). Devo ser mais explícito?
Creio que o Ramiro, de todas as maneiras, exprimiu melhor o cerne deste assunto, a relatividade dos códigos, das línguas, ao falar indistintamente do Nada, da Vida, de Deus. Bento Spinoza com o seu Deus sive natura ou aqueles que dim que não há nengum deus, salvo o absolutamente real (a profissão de fé islâmica, oh escândalo de materialistas e crédulos e integristas vários) também trazem claridade para nossa vida.
Se continuar sem fazer sentido para ti, está longe isso da minha intenção e prometo tentar ainda, com vinho de permeio, embora por vezes me resulte difícil sinceramente dizer cousas que pertencem a certa inefabilidade felizmente real.
Um abraço.
12/05/2005
Mutatis mutandisRelembrava com o Alfredo a ocasião em que o meu professor de Direito Político, Ramón Máiz, autor de uma interessante tese sobre a política e a cultura dos últimos 150 anos na Galiza, dizia que o galeguismo é um movimento que se caracteriza polo fracasso e a descontinuidade. Mais interessado polo significado da observação do que pola identificação com aquele movimento, eu saudei com alegria esta proposta de Táti de construir uma ágora onde a gente, nomeadamente a vinculada ao que primeiramente se chamou A Fábrica, logo Hedral e finalmente Companhia Poética da Meia-Noite, onde a gente -dizia- se encontrasse e reconhecesse.
Passou tempo, estes últimos anos, e os nossos condicionantes e estilos nos pintarom caras diferentes, línguas diferentes, ritos e emoções a leste e oeste. Por isso pido licença para perguntar ao Mário, a raiz da conversa com Ramiro, sobre o território do cavalo alado do Alfredo, por que é que acha que digo cousas estranhas. Devo adiantar que sinto que esta frase implica que o Mário escuita com consideração (isso e muita virtude mais não me surpreendem nele) e que, alternativamente:
A) Digo cousas que não fazem sentido em absoluto (e ficaria a saber). B) Digo cousas que não parecem fazer sentido relativamente ao nosso condicionamento (e então sei, mas não me apercebia de estar a resultar tão confuso, sinceramente).
Mas como dixerom outros antes do meu professor, a gente muda e viaja e é bom manter o contacto. Então, se a hipótese ajeitada for a B) talvez podamos falar e viajar, querido Mário, sobre essa confusão de que me falas, sobre a incertidão do território fundacional do poético de que fala Ramiro, de que canta Alfredo.
Um abraço.
25/04/2005
A verdade não está num sonho mas em muitos“ A fidelidade é uma virtude mas a inconstância também o é “ (As Mil e Uma Noites)
Porque qualquer comprometimento deve ser submetido à peneira do coração, sob pena de obstaculizar a nossa verdadeira fidelidade com a procura mais íntima. Estou estes dias a traduzir o Jalaluddin Rumi e encontrei este comentário “ vimos fazer uma só cousa, se a figermos e deixarmos sem fazer o resto, não tem muita importância; mas se figermos todas as cousas e deixarmos essa sem fazer é como se não tivéssemos feito nada”. Creio que nós somos e fomos de alguma maneira uma escola, e as escolas não permanecem inalteráveis, mudam em virtude das circunstâncias, algumas desaparecem. Nada mais do que uma escola, naturalmente de umas características diferentes ao que é habitual, em que não há magistério visível, apenas estudantes. Ou buscadores de pérolas, embora sejam já praticantes avançados. Valorizo muito as intervenções e o nível do Mário, o Ramiro e o Alfredo e compreendo a Táti, na sua expressa necessidade e vontade de mais ar, de mais mar. Na esteira da liberdade e o amor, o caminho dela ela mesma há-de acertar, mas é afinal precisa uma errância própria, e errância significa caminhar e aprender, como me dizia há anos o Chíqui. Mas não é, creio, o momento nem do travão nem da esgrima, está aqui a Táti a falar de algo muito importante, que não é a ortografia mas a adequação não traumática e fértil ao que nos cabe viver, sendo ao mesmo tempo, na medida da arte e o espírito de cada um, transmissores de tudo aquilo que de positivo nos foi entregue, em palavras de Saramago, da melhor maneira que soubermos. A melhor maneira de escrevermos é sempre na norma internacional da língua galega? Apenas é esse o ousado estatement de Táti. E dos sábios imprudentes é o ouro, parafraseando a Camões. Bem, em todo o caso, acedamos, na medida em que pudermos, ao Camões e ao melhor das nossa tradição literária clássica e moderna, e procuremos, se assim o requererem, que os nossos filhos recebam também a sua parte neste vinho excelente.
Um abraço.
18/04/2005
Aclarações, com fundo de JaureguizarCom intenção de aclarar um ponto ontem falado com o Mário Herrero, com afecto e sinceridade, escrevo aqui. Há breve participei pola primeira vez no blog de Jaureguizar, na “Morte de um Jovem Contribuinte”, e participei porque considerei um assunto interessante, julguei ter visto o veio do monolitismo nacional numas aclarações, bem-intencionadas, sobre o uso da língua galega. E de facto, aproveito para deixar um ponto positivo para o esforço e atitude de Jaureguizar. Chamo a atenção sobre a fixidez, ao meu critério, de intentos de alteração dos usos lingüísticos por via da coerção moral, ou da estigmatização. E chamo a atenção a esse ponto porque creio que as pessoas usarão a língua ou a forma da língua (ou a ortografia) que mais as favorecer, em que melhor se desenvolverem, e o mais são mais ou menos martirológios ou linchamentos vários. Pessoalmente, não tenho qualquer compromisso com nada que não seja a procura da própria sensatez, e reconheço-me necessitado de todas as demais consciências para me não extraviar demais; de modo que obviamente não sou desaprovador nem comigo nem com os mais polo uso de qualquer instrumento lingüístico que se julgar próprio ao lugar, a gente e o tempo.
Com certeza que, como nos transmite a tradição dos movimentos de reconstrução civil galega, a língua original da Galiza é o galego, língua também chamada de português fora dessa nação, e com certeza será uma enorme riqueza para os habitantes da Galiza, para a Lusofonia, para o mundo talvez, a língua galega se normalizar ( e ao meu modo de ver isso significa “se reintegrar no âmbito lusófono”) sem exclusões legais de nengum outro uso que qualquer sector significativo da sociedade galega mantiver. Creio que o único importante, nesta altura e a este efeito, é munir-nos de instrumentos desenvolvidos de comunicação, e creio que no nosso caso, espanhol e galego (ou galego-português, quaestio nominis) são instrumentos próprios para a expressão desenvolta das ideias e a informação, bem como para o acesso aos textos universais de valor na nossa própria língua, sobretudo aos literários. Nesse ponto julgo mui necessária a intervenção da gestão pública na implementação do ensino da língua galego-portuguesa, e saúdo satisfactoriamente (considerandos e reticências admitidos) a redacção das novas normas oficiosas, que possibilitam um acercamento notável ao que é a língua galega do Brasil, Portugal e países lusófonos, mas sobretudo exprimo meu desideratum de que pola parte do poder público se favoreça o acesso efectivo aos textos do mundo de expressão galega, acolhendo institucionalmente a publicação na Galiza de obras dos escritores lusófonos clássicos e modernos, bem como sua inclusão nos programas de literatura galega, tal e como estava previsto há mais de 20 anos. E polo mais, fale-se e escreva-se como aconselhar o bom senso e a competência lingüística mas, por favor, cultive-se o bom senso, a competência lingüística e a consideração polo próximo. No aqui escrito podo enganar-me, Deus sabe mais.
14/04/2005
Sobre a abertura de novas rotasConversando com Táti um dia na sua casa em gananciais com o Alfredo Ferreiro, poetas endemoninhados, e amigos, e amigos de remoer-me por dentro (o qual não é difícil dado o espírito conservador que possuo, bem como ousado), sobre as circunstâncias sociais e culturais galegas e sobre as mudanças normativas e outras interessantes cousas em que estou em parte de acordo com ela (na melhor parte), conversando, dizia, achei algo que apenas agora posso exprimir. Ela deu-me oportunidade de repensar o que -creio- sempre caracterizou este grupo de indivíduos que começou a caminhar há muito tempo como A Fábrica: que nunca houvo acordo em nada salvo na necessária insularidade (sem mesmo necessidade de explicitação) dos seus habitantes. É precisamente isso que nos fijo grupo, que não houvo concórdia nem consenso, mas senso. O rumo fora das peripécias do integrismo marxista, liberal, religioso, nacional e cultural. Longe do reduto do reintegracionismo, do nacionalismo, da literatura de resistência, mesmo, atreveria-me, longe da literatura como epifenómeno. Mas não com o intuito de criar um novo nosso reduto, mas por uma atitude isenta na procura da soberania pessoal e o aperfeiçoamento. De facto essa foi a causa da primeira cisão, e única, e única possível: a conseqüência do primeiro manifesto d'A Fábrica, em que se patenteou a incomodidade espiritual de assumir os princípios que fossem. Assim esta liga autárquica e libertária de autarcas libertários começou a andar sem pedir permisso. Creio que hoje me cabe dizer humildemente que acredito na nossa independência, na nossa virtude e no nosso presente, entanto ilhéus. Miguel Anjo Fernam-Velho dixera há 10 anos "onde estareis de aqui a 10 anos!?" e o assunto é: onde estaremos todos de aqui a 1000? Mais ou menos onde estamos agora, penso eu, se realmente estivermos. Agora que sei que estou só nisto de mim mesmo, agora que preciso essa fraqueza e essa calma, creio que apenas ficará de mim isto que me move a escrever, toda a realidade e o amor que está aí, à volta e em cada texto, em toda a matéria e a forma que se movem quando escrevo. Afinal isso que fica fui. Venho do mar abertoEstá um tempo prometedor, contanto que nos atrevamos a sulcar o imenso oceano que nos rodeia. Isto aqui, o lugar da fábrica, que imagino aberta, mais semelhante a um obradoiro do que a uma factoria industriosa, ao meio de azinheiras ou carvalhos ou ao pé da cordilheira do Rajastão (se o Rajastão tiver cordilheira...), isto aqui me serve para manufacturar cousas e ventos propícios. Afinal a literatura, a criação artística, é um meio que sinto especialmente próprio para espalhar as luzes que me são oferecidas nas viagens, os presentes dos amigos longínquos, os inquietantes e digestivos temperos achados nos confins da alma. E, polo mais, por considerandos sobre as políticas e outros, estou, com Fernando Pessoa, em que "tudo vale a pena, se a alma não é pequena".
Até breve.
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