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O pássaro solitário e a debandada ibérica (e II)

"Assim, na visão de Goytisolo, o século XVI assistiu à ruptura de uma tradição de diálogo intercultural. Um diálogo que havia dado à Espanha lugar privilegiado no panorama europeu. Basta pensar na escola medieval de tradutores de Toledo. Lá colaboraram estudiosos árabes, judeus e cristãos, graças ao impulso do rei Afonso, o Sábio. Mas a expulsão de fins do século XV e a censura político-religiosa do século XVI arruinaram esse diálogo. E contribuir para reatá-lo tem sido o intuito primordial de Juan Goytisolo.
(…) Há, portanto, um San Juan de la Cruz silenciado, e testemunha de vozes silenciadas. É este San Juan que Goytisolo vem resgatar. E, concretamente, o autor de um texto perdido, Propiedades del Pájaro Solitario. Não chegou até nós esse escrito sanjuanista. Desapareceu talvez depois da morte de Teresa, no tempo das perseguições. Sabemos que alguns amigos que conservavam escritos de San Juan de la Cruz tiveram de queimá-los para proteger o poeta. Uma testemunha nos fala da perda de um opúsculo, um tratadillo, como dizia. Seu título era precisamente Propiedades del pájaro solitario."

O resto deste texto, que para quem achou interessante o extractado há-de resultar bem mais interessante podereis encontrá-lo premindo aqui. Um abraço.
15/06/2005 20:47

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Autor: Ramiro

Muito interessante o Goytisolo. Lembro-me do J. A. Valente ou da María Zambrano, também autores periféricos a respeito do discurso reducionista sobre a Vida e sobre as nossas identidades. Também com percursos (re)feitos fora da Hespanha. Também olhando cara o oriente e cara dentro. E todos num tempus único, poético, cheio de razão grávida de sonho e coração.
Bebamos, pois, no seu vinho para acordarmos outros. Mais amantes.

Fecha: 16/06/2005 21:30.



Autor: Alfredo Ferreiro

Ramiro, meu, vas apanhar uma carraspana! E a ver vamos quem te leva à casa.

Fecha: 16/06/2005 22:09.



Autor: Pedro

É preciso beber bom vinho, na dose própria. Mas o critério e a direcção é que estão estrados e perdidos em mil pistas, em mil sonhos, quem sabe hoje em Ocidente e em Oriente?... Creio que sabe muito disto o coração que, como saberá o Mário, na cultura semítica significa o ser interno, não as emoções. Bebamos pois, no seu vinho, para acordarmos outros, e se o Ramiro não puder chegar a casa, em justa compensação ao que fijo comigo, ofereço-me a levá-lo eu.

Fecha: 17/06/2005 09:27.



Autor: Alfredo Ferreiro

O qual demonstra que podemos perder o sentido se cultivamos a amizade.

Fecha: 17/06/2005 18:12.



Autor: Ramiro

Muito obrigado pelo oferecimento, Pedro. Mas tenho para mim que esse vinho é precisamente o que me faz ir cara a casa, ou permanecer nela.
No referente à amizade acho que é dos melhores cultivos, em casa e fora dela: sempre que tenha sentido, como ocorre aqui e noutros arquipélagos.

Fecha: 17/06/2005 18:51.



Autor: Pedro

É, é, queridos amiciticultores.

Fecha: 17/06/2005 20:12.


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