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PoemaA Isabel.
Caminho já longe Da casa queimada por mim: Só salvei dela um mapa em branco Com indicações muito precisas Para desenvolver-me polas cidades Que se alçam ao fundo deste espelho dormido Em que estás a ler agora.
Deixo cair As minhas propriedades na rua, Expostas à inquietação dos transeuntes: Eles não compreendem a deriva dos meus passos, Persistem em construir casas onde sentir A lenta dissipação das suas vidas como um prémio.
Eu, porém, Matei todas as raízes escuras Que assombravam a minha morte: Conheço a alta árvore do amor, o seu Fruto certo em que ardo e pervago livre; E assim permaneço nesta transformação Do meu corpo em aprendiz do nada mais pleno. 15/05/2005 23:05
Autor: Alfredo Ferreiro Parabéns, antes do mais, Ramiro, por este poema. Acho que ofereces imagens muito interessantes nele, por originais e pela maneira polida em que as trataste: o “espelho dormido”, as “propriedades deitadas na rua” e a “lenta dissipação da vida como um prémio”, nomeadamente me resultam afinadas. Com textos desta classe esta plataforma inevitavelmente atingirá mais e mais altura.
Fecha: 15/05/2005 23:08.
Autor: Pedro Impressionante, numa primeira leitura impressionante e surpreendente. Vejo que estes anos de trabalho derom à luz um poeta armado de vida e vide. Formalmente apurado, o poema oculta e desvenda muito do mele sincero que destila esse percurso isento e apaixonado que é a tua vida, ó Ramiro, amigo, e que está presente -eu penso- entre todos nós em diferentes tons.
Fecha: 16/05/2005 10:34.
Autor: Táti Pedro, coas ganas que tes de escribir ultimamente, parece mentira que non teñas posteado aínda ningún poema. Agardo impaciente. Vai a serio.
Fecha: 16/05/2005 22:25.
Autor: Pedro É falta de tempo ultimamente, prometo em breve enviar algo. Abraços.
Fecha: 19/05/2005 10:16.

Autor: chiqui É um poema duma intensa qualidade. Estou feliz de ver como a qualidade está presente dum jeito evidente em todos os poemas que li até agora. Parabéns a todos!
Fecha: 20/05/2005 11:21.
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