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Dias de vinho e rosas, epílogo, para MárioParabéns pola derrota, Ethan, buscador, che envio das montanhas onde trabalhava Josie antes da guerra civil, com a intenção de que esta língua lá faga um sentido para TI: sobretudo quando a guerra já passou por Josie Wales e por Ethan Edwards e ainda há cinzas quentes.
Não sei a que te referes com a palavra poesia tu, ó buscador furtivo, mas gostaria de sabê-lo ou, melhor, de prová-lo, e deixarmo-nos no possível de categorizações. Aproveito o ensejo para dar as graças a todos os que me derom emprego como "poeta" , "reintegracionista", "libertário" ,"crente" ou o que fosse. Obrigado a mim mesmo, que também me categorizei, devo enfim agradecer estes nomes tão lindos, tão sonoros e que me fazem viver na ilusão de que eu sou algo em sociedade, tão necessitado como estava de encontrar um lugar em este mundo. Mas infelizmente é em vão, porque eu mesmo não o creio, e confesso não ser essencialmente nada disso, assuntos que sinto em suma como paixões e claridades parciais, estando de facto com freqüência de maneiras aparentemente opostas (e darei tantos erros) com a intenção de obter o melhor resultado para mim (e os meus) ante cada tempo, gente e lugar: de maneira mesquinha em troca de criadora, ao modo de um oficialista de facto (ou teórico), como um patriota espanhol ad usum ou como um ateu moderno, adorador dos ídolos quotidianos. Falo a sério, Mário, porque não adopto muito a sério nenguma destas posições, valem-me enquanto me valerem. Aparece porventura aí a tua percepção de incoerência ou confusão, que também se explica porque eu como todos ando a dar paus de cego, sobretudo quando bebo. Eu não quero tampouco a poesia, vês? por cima de tudo. Uso-a com um fim mui determinado (ainda que esse fim me determine a mim). Devo ser mais explícito?
Creio que o Ramiro, de todas as maneiras, exprimiu melhor o cerne deste assunto, a relatividade dos códigos, das línguas, ao falar indistintamente do Nada, da Vida, de Deus. Bento Spinoza com o seu Deus sive natura ou aqueles que dim que não há nengum deus, salvo o absolutamente real (a profissão de fé islâmica, oh escândalo de materialistas e crédulos e integristas vários) também trazem claridade para nossa vida.
Se continuar sem fazer sentido para ti, está longe isso da minha intenção e prometo tentar ainda, com vinho de permeio, embora por vezes me resulte difícil sinceramente dizer cousas que pertencem a certa inefabilidade felizmente real.
Um abraço. 13/05/2005 13:19
Autor: Mário In vino veritas, cada dia penso essa que é a única verdade real, e é por isso que estou a pensar em deixar de beber... para poder dizer depois: "hoje voltei a cair"... Saúde.
Fecha: 15/05/2005 22:13.
Autor: Pedro Quanta razão, e sem-razão, reside no vinho, que, com certeza, há-de ter um parentesco metafórico (e químico) com a verdade. Deixemos que por ele, com ele e nele, no vinho, se nos abram as portas de uma comunicação impossível por meio das palavras tão úteis. Deixemos que um vinho agreste nos povoe as pálpebras e fale por nós, do profundo, para nós e entre nós mesmos, como uma conversa entre os corações, fugitivos a quaisquer fronteiras.
Fecha: 16/05/2005 09:56.
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