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ROMANCE DO POETA DESCAVALGADOSou poeta galego, quer dizer poeta edificado nas ruinas da Galiza, certo alicerce abandonado do espírito português. Sou cavaleiro sem cavalo e a santa estirpe que canto é um prego fundo extirpado.
Sou poeta descavalgado, ginete errante de futuro incerto que alguns querem ver no passado, e ilusos cavalgam um asno a pensarem que é cavalo. Sou cavaleiro sem cavalo e a santa estirpe que canto é um prego fundo extirpado.
Sou um sino sem badalo, esqueci o meu destino outrora coroado, e certas rédeas me conduzem a um ermo campo isolado. Sou cavaleiro sem cavalo e a santa estirpe que canto é um prego fundo extirpado.
Mudam os tempos, não mudam as vontades a tentarem ver-me sempre poeta descavalgado, mas há um cavalo alado que sonho a pastar em território ilimitado. Sou cavaleiro sem cavalo e a santa estirpe que canto é um prego fundo extirpado. 03/05/2005 22:29
Autor: Pedro Bem, di(-me) muita cousa que já sabia e não sabia como dizer(-me). Este poema, como todos os poemas que ultimamente me interessam, serve(-me) como nemotecnia.
Fecha: 06/05/2005 17:35.
Autor: Ramiro Desde esse "cavalo alado que sonho / a pastar em território ilimitado" é desde onde proponho trabalhar permanentemente. Acho que sermos conscientes do que nos rodeia como condicionantes de todo tipo é o que nos deve permitir tirar de nós o melhor que guardamos, e lançá-lo à nossa vida como força irrenunciável que nos faz progredir (e também fazer memória do que somos e do que vem). Afinal, as nossas vidas são breves, e há que saber a que, e a quem, dedicar-nos. Não é?.
Fecha: 06/05/2005 23:33.
Autor: Ramiro Quero dizer, caro amigo e irmão, que sobre todos os condicionantes -corporais, psicológicos, sociais, etc.- que agem sobre nós, é o trabalho poético algo que nos reconcilia sempre com o que somos -ou com aquilo no que somos- lá no nosso fundo. O que proponho é ter como perspectiva a de trabalhar poeticamente desde aí, nesse espaço libertado onde criar desde a força imensa da Vida -ou da Nada, ou de Deus, como dirias tu- em nós. Isto não quer dizer, obviamente, que creia que na Poesia não se possa ou não se deva tratar qualquer temática de qualquer maneira (a questão é se os poemas são bons ou não). Precisamente se algo define -para mim- a Poesia é -ou deve ser- a LIBERDADE (sobre isto tem escrito muito melhor do que eu o Mário Cesariny ou mesmo o António Maria Lisboa). O que sim defendo é que todos trabalhemos desde as nossas concepções o melhor que saibamos.
Fecha: 09/05/2005 23:02.
Autor: Pedro Claro. O primeiro, as quatro mensagens devem-se a algum assunto electrónico, não á minha vontade. Compreendo o que escreves, caro colega na fraternidade dos Assassinos.
Fecha: 11/05/2005 20:00.
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